Reforma Tributária e Produtor Rural: IBS, CBS e emissão de Nota Fiscal — o que muda em 2026?

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A reforma tributária do consumo entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026 e trouxe impactos diretos para quem trabalha no campo.

O novo modelo altera a emissão de notas fiscais, cria os tributos IBS e CBS, modifica o tratamento de insumos agrícolas e inaugura um período de transição que exige planejamento, investimento em tecnologia e revisão completa da gestão fiscal.

Para empresas que atendem o setor rural, entender essas mudanças é fundamental para orientar seus clientes e adaptar seus sistemas e serviços ao novo cenário que já está valendo.

Sumário

  1. O que mudou para o produtor rural com a reforma tributária
  2. IBS e CBS: os novos tributos do modelo
  3. Como funciona a emissão de notas fiscais no novo modelo
  4. Mudanças no tratamento de insumos e impacto nos custos
  5. Impactos diferentes conforme o porte da operação
  6. A digitalização do campo brasileiro

O que mudou para o produtor rural com a entrada em vigor da reforma

Desde o início deste ano, o Brasil passa por uma transformação estrutural no sistema de tributação sobre o consumo. O modelo atual, baseado em ICMS, ISS, PIS e Cofins, começou a ser substituído gradualmente por um sistema de Imposto sobre Valor Agregado, o IVA dual brasileiro.

Para quem produz no campo ou atende esse público, as mudanças já começaram.

É necessário adaptar sistemas de emissão de notas fiscais, incluir novos campos relacionados ao IBS e à CBS, lidar com alterações no tratamento de insumos agrícolas, garantir rastreabilidade fiscal completa de todas as operações e aumentar consideravelmente a dependência de sistemas digitais e ERPs.

Produtores que não se adaptarem ao novo padrão técnico podem enfrentar rejeição de notas fiscais, dificuldades para comercializar a produção e complicações na hora de aproveitar créditos tributários.

IBS e CBS: conheça os novos tributos do modelo

O centro da reforma tributária está na criação de dois novos tributos que vão substituir os atuais. O IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) vai ocupar o lugar do ICMS e do ISS, enquanto a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) vai substituir o PIS e a Cofins.

Neste ano de 2026, o sistema está em fase de testes com alíquotas baixas: 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS.

Esses valores não representam um aumento significativo na carga tributária inicial, mas já criam uma obrigação importante: mesmo com essas alíquotas baixas, é necessário calcular, destacar e informar esses tributos em cada nota fiscal emitida desde o dia 1º de janeiro.

O sistema completo vai sendo implementado aos poucos até 2033, quando as alíquotas devem chegar entre 26,5% e 28%.

A título de comparação, a média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) fica em torno de 19%.

Como funciona a emissão de notas fiscais no novo modelo

A mudança mais imediata está acontecendo agora na emissão de nota fiscal.

Desde 1º de janeiro, é obrigatório usar o novo layout da NF-e e da NFC-e, preencher campos específicos para IBS e CBS, emitir documentos compatíveis com as novas regras de validação da Receita Federal e manter sistemas constantemente atualizados.

Para produtores que usam sistemas próprios de emissão, é fundamental solicitar a atualização com o fornecedor de software imediatamente.

Para empresas que desenvolvem ou fornecem soluções fiscais, este é o momento de garantir que seus produtos estejam prontos para atender às novas exigências que já estão valendo.

Erros estruturais na nota fiscal podem impedir a comercialização da produção e criar passivos fiscais que se tornam problemas sérios mais à frente.

Mudanças no tratamento de insumos e impacto nos custos

A reforma tributária altera significativamente o tratamento tributário de insumos agrícolas.

O modelo anterior, que previa alíquota zero para fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas em muitas situações, dá lugar a uma tributação com alíquota reduzida.

A carga efetiva sobre esses insumos está estimada entre 10% e 11%, mesmo com o redutor de 60% previsto especificamente para o setor agropecuário.

Além disso, os incentivos fiscais estaduais vão sendo extintos gradualmente ao longo do período de transição.

Para operações que trabalhavam com isenções ou alíquotas zero, essa mudança representa um impacto direto nas margens.

O planejamento financeiro precisa considerar esse novo cenário a partir de agora, especialmente para culturas de menor rentabilidade.

Impactos diferentes conforme o porte da operação

A reforma tributária afeta produtores de formas diferentes dependendo do tamanho e da estrutura da operação.

Grandes produtores que já operam com ERPs robustos, equipes fiscais estruturadas e cadeias de fornecimento formalizadas tendem a ter mais facilidade na adaptação.

Médios produtores enfrentam um desafio maior. Precisam investir em tecnologia e estruturação fiscal sem necessariamente ter o mesmo acesso a recursos e conhecimento especializado. É um momento de profissionalização forçada.

Pequenos produtores podem encontrar dificuldades adicionais. O crédito presumido disponível para eles é limitado, e a digitalização obrigatória representa custos e complexidade que exigem apoio técnico qualificado.

Vale destacar que produtores com faturamento anual acima de R$ 3,6 milhões são obrigados a entrar no regime regular de IBS e CBS, com apuração completa de créditos e débitos, o que aumenta significativamente o trabalho administrativo e os custos operacionais.

A digitalização do campo brasileiro

A reforma tributária acelera a digitalização das operações rurais.

Entre os instrumentos criados estão o CNPJ alfanumérico para produtores pessoa física, a Nota Fiscal Fácil (NFF) para emissão simplificada e o Provedor de Assinatura e Autorização (PAA), que pode ser acessado via cooperativas e entidades do setor.

A emissão correta de notas fiscais eletrônicas se tornou condição essencial para operar no mercado.

Sem ela, não é possível aproveitar créditos tributários, vender para grandes compradores que exigem documentação fiscal adequada ou acessar crédito rural, seguro agrícola e programas oficiais de apoio.

Para empresas que atendem o setor, isso significa oportunidade de oferecer soluções que facilitem essa transição digital, desde softwares de gestão até serviços de consultoria e suporte técnico.

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