O que é crédito tributário na Reforma Tributária e como isso afeta seu sistema de emissão fiscal

Na nova fase do jogo tributário, quem não entender os créditos pode acabar pagando duas vezes pra jogar. 😬

O crédito tributário é a peça-chave que vai determinar se a mudança de impostos vai pesar — ou aliviar — no bolso da sua empresa.

Na prática, ele representa o direito de “descontar” dos tributos devidos aquilo que já foi pago na compra de insumos e serviços.

Com a Reforma Tributária, a lógica continua, mas as regras e a forma de registrar esses créditos mudam…

E você vai precisar revisar processos, planos de contas e integrações do seu ERP ou plataforma de emissão fiscal.

1. Conceito de crédito tributário na Reforma Tributária

Crédito tributário é o direito que a empresa tem de recuperar, por compensação ou abatimento, o imposto pago na aquisição de bens ou serviços usados na produção ou na prestação de serviços.

A Reforma Tributária consolida essa lógica ao criar dois novos tributos:

  • CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços (substitui PIS, Cofins e IPI).
  • IBS – Imposto sobre Bens e Serviços (substitui ICMS e ISS).

Ambos serão não cumulativos em toda a cadeia.

Logo, cada etapa paga o imposto apenas sobre o valor agregado, utilizando como crédito o tributo recolhido pelo fornecedor anterior.

2. Como o crédito tributário vai funcionar na prática

Na teoria, o modelo lembra o que já existe para ICMS e IPI, mas com duas mudanças-chave:

  1. Pagamento efetivo: o crédito só pode ser apropriado se o imposto tiver sido efetivamente recolhido pelo fornecedor — nada de “crédito de papel”.
  2. Sistema federal unificado: a ideia é centralizar a validação dos créditos em um portal federal, reduzindo divergências estaduais/municipais.

Para empresas em Lucro Real e Lucro Presumido, praticamente todo custo ou insumo gera crédito. Já os optantes do Simples Nacional terão duas opções:

  • Ficar no Simples e transferir créditos proporcionais ao percentual de CBS/IBS embutido na DAS (menor).
  • Recolher CBS/IBS fora da DAS, pela alíquota cheia, para repassar créditos integrais — mas pagando mais imposto.

3. Impacto sobre regimes tributários e competitividade

O novo desenho cria vencedores e perdedores:

RegimeAntes da ReformaDepois da Reforma
Lucro RealCrédito de ICMS, IPI, PIS, CofinsCrédito sobre toda compra de bens e serviços (CBS/IBS)
Lucro PresumidoCrédito de ICMS e IPI (parcial)Crédito sobre compras de bens e serviços (CBS/IBS)
Simples NacionalSem crédito de PIS/Cofins; ICMS proporcionalOpção 1 (DAS): crédito proporcional — menor competitividade Opção 2 (Fora DAS): crédito integral — carga tributária maior

Para fornecedores do Simples que vendem a empresas que fazem questão de crédito integral, a pressão por migrar de regime deve aumentar.

Ao mesmo tempo, MEIs não geram nem tomam crédito, o que pode reduzir sua atratividade para grandes contratantes.

4. Efeitos diretos no seu sistema de emissão fiscal

Seu ERP ou plataforma de emissão de NF-e precisará lidar com mudanças profundas:

  • Novos campos nos documentos fiscais: CBS e IBS substituem até cinco tributos atuais; layouts XML tendem a mudar.
  • Validação online de crédito: integração via API ao portal federal para consultar se o imposto do fornecedor foi pago.
  • Plano de contas ampliado: controles separados para créditos de bens, serviços, investimentos e exportações.
  • Split payment (opcional): o sistema pode ter que dividir automaticamente o valor da nota entre fornecedor e fisco, garantindo o recolhimento e, portanto, o direito ao crédito.
  • Rotinas de apuração mensais: CBS e IBS exigirão nova lógica de consolidação de débitos/créditos, possivelmente unificada, reduzindo conciliações manuais.
  • Relatórios de compliance: visualização de créditos pendentes, compensados e perdidos (ex.: mudança de regime ou expiração de prazo).

Empresas que emitem milhares de notas por dia devem priorizar performance e rastreabilidade: cada crédito precisará estar lastreado por documento fiscal autêntico e recolhimento confirmado.

5. Exemplo numérico de aproveitamento de crédito

Imagine uma indústria que compra aço por R$ 50.000, com CBS/IBS de 28 % destacados.

O fornecedor recolhe R$ 14.000 de impostos. Quando a indústria vende o produto final por R$ 200.000, o CBS/IBS devido (28 %) seria R$ 56.000.

Como há um crédito comprovado de R$ 14.000, a empresa paga apenas R$ 42.000.

Se o fornecedor não recolher os R$ 14.000, o crédito será negado no portal federal, e a indústria arcará com o imposto cheio, pressionando preço e margem.

É por isso que a verificação de conformidade tributária de cada CNPJ parceiro será crítica.

6. Como se preparar desde já

As regras finais ainda dependem de leis complementares, mas você pode começar a blindar o processo fiscal hoje:

  1. Mapeie cadeias de fornecimento: identifique quais parceiros estão no Simples, Lucro Presumido ou Real e como isso afeta a geração de crédito.
  2. Revisite contratos de compra/venda: insira cláusulas que obriguem o parceiro a recolher o imposto para não anular seu crédito.
  3. Atualize o ERP: solicite ao fornecedor de software o roadmap de CBS/IBS, layouts e API de validação.
  4. Capacite a equipe fiscal: treine time de faturamento e contabilidade sobre os novos códigos, alíquotas e prazos de compensação.
  5. Avalie o regime tributário: empresas do Simples que vendem majoritariamente para PJ podem simular cenários de migração ou recolhimento de CBS/IBS fora da DAS.
  6. Acompanhe regulamentação: participe de fóruns, leia notas técnicas e assine newsletters especializadas para ajustar processos à medida que novas regras saírem.

No fim do dia, o crédito tributário pode ser um motor de competitividade — ou um gargalo de custo — dependendo de quão rápido você adaptar seu sistema de emissão fiscal, validar parceiros e otimizar o fluxo de apuração.

A Reforma está chegando; o melhor momento para preparar o terreno é agora.

Reforma vai, crédito vem, e seu sistema tá mais perdido que cego em tiroteio?

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