A Reforma Tributária que introduz o IBS e a CBS exige que empresas repensem a escolha entre Lucro Real e Lucro Presumido.
A decisão deixa de se apoiar apenas na margem de lucro e na simplicidade operacional e passa a envolver a capacidade de geração e aproveitamento de créditos tributários.
No Lucro Presumido a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é formada por uma margem estimada sobre o faturamento, que varia conforme o setor e costuma ficar entre 8% e 32%.
Esse regime mantém o recolhimento de PIS e Cofins no modelo cumulativo, com alíquotas menores e sem o mesmo aproveitamento de créditos disponível em regimes não cumulativos.
A principal vantagem do Lucro Presumido é a previsibilidade e a simplicidade na apuração, o que o torna atraente para empresas com margens elevadas e baixa complexidade operacional.
Por outro lado, quando a presunção de lucro supera o resultado real da atividade, o Lucro Presumido pode resultar em carga tributária mais alta para negócios com margens reduzidas ou com alto volume de despesas.
No Lucro Real a tributação considera o resultado efetivamente apurado pela empresa, com receitas deduzidas de custos e despesas.
Esse regime permite maior aproveitamento de créditos sobre compras de insumos, equipamentos e serviços, e tende a ganhar relevância com a implementação do IBS e da CBS.
Empresas com cadeias produtivas complexas, elevado volume de aquisições tributadas ou atuação majoritariamente B2B podem encontrar no Lucro Real uma vantagem tributária relevante.
Porém, o Lucro Real exige controles contábeis e financeiros mais robustos para capturar os créditos e evitar riscos fiscais.
A mudança do ambiente tributário amplia a importância da governança financeira e da qualidade das informações geradas pelos sistemas de gestão.
Organizações com dados estruturados e processos internos consolidados estarão em melhor posição para simular cenários e optar pelo regime mais eficiente.
Empresas com alta margem, poucos custos passíveis de crédito ou estrutura administrativa enxuta podem continuar a se beneficiar do Lucro Presumido.
Já negócios com margens menores, muitos insumos tributados ou necessidade de geração de créditos ao longo da cadeia tendem a avaliar a migração para o Lucro Real.
O período de transição exige planejamento, simulações fiscais e eventuais ajustes em sistemas e rotinas contábeis para evitar impactos financeiros inesperados.
Recomenda-se iniciar análises e testes de apuração comparativa com antecedência, incluindo revisão de contratos de compras e classificação fiscal de despesas.
Decisões bem fundamentadas nesse momento podem reduzir custos e aumentar a competitividade durante a adaptação ao novo modelo tributário.
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