Lei Complementar 227 institui o Comitê Gestor do IBS (CGIBS) e amplia desafios operacionais

A sanção do Projeto de Lei Complementar nº 108/2024, convertido na Lei Complementar nº 227/2026, marca o início da fase mais sensível da Reforma Tributária sobre o consumo.

A partir de agora, o foco deixa de ser o debate legislativo e passa a ser a implementação efetiva do novo modelo, com regras transformadas em processos, sistemas e rotinas operacionais.

O desafio central deixa de ser o “o que está na lei” e passa a ser o “como aplicar”, em um ambiente que exige segurança jurídica, estabilidade e integração tecnológica.

Durante toda a tramitação do PLP 108, o Sindireceita acompanhou as discussões técnicas, analisou versões e substitutivos e atuou institucionalmente na defesa das atribuições da Receita Federal do Brasil.

A atuação incluiu atenção especial ao papel dos Analistas-Tributários na operacionalização do novo sistema tributário.

Com a LC 227, a reforma entra definitivamente no chamado “mundo real”, envolvendo interoperabilidade de dados, padronização de procedimentos, testes em larga escala, regras de crédito e mecanismos de devolução.

O ponto mais sensível passa a ser a operacionalização da cobrança em um ambiente digital e integrado.

Da lei ao sistema: a cobrança no centro da reforma

Entre os instrumentos previstos para a implementação está o split payment, mecanismo em que o recolhimento do tributo ocorre de forma automatizada no próprio fluxo do pagamento.

A lógica é reduzir inadimplência, ampliar a rastreabilidade das operações e aumentar a previsibilidade da arrecadação.

Outro aspecto central é o fortalecimento da não cumulatividade, cada vez mais incorporada diretamente aos sistemas.

Créditos e débitos tendem a ser apurados com base em dados estruturados, validações eletrônicas e registros consistentes, reduzindo etapas manuais e margens de erro.

Políticas como o cashback também entram nesse pacote de desafios, exigindo regras claras, integração de bases de dados e governança para garantir efetividade social sem comprometer a segurança administrativa.

Infraestrutura digital e integração tecnológica

A transição da lei para a prática depende diretamente de uma infraestrutura tecnológica robusta.

Eventos institucionais realizados no Serpro simbolizam essa mudança de fase, deixando claro que a reforma não se encerra com a sanção da lei.

Embora o IBS tenha governança interfederativa, sua execução exige soluções tecnológicas integradas a documentos fiscais eletrônicos, cadastros, meios de pagamento e rotinas de arrecadação.

A integração entre IBS e CBS coloca a Receita Federal e o Serpro no centro da construção da arquitetura que dará sustentação ao novo modelo.

Nesse contexto, cresce a relevância dos Analistas-Tributários, especialmente pela experiência em processos digitais, fiscalização em sentido amplo, conformidade e suporte operacional.

O novo sistema depende fortemente de dados integrados e de atuação coordenada, áreas em que o conhecimento prático da carreira se torna estratégico.

Implementação, segurança jurídica e previsibilidade

Ao longo da tramitação do PLP 108, o Sindireceita também atuou para mitigar riscos de insegurança jurídica.

Em reformas complexas, redações ambíguas podem gerar disputas interpretativas e aumentar a litigiosidade em um momento que exige previsibilidade.

Como parte desse acompanhamento, foi encaminhada Nota Técnica à Receita Federal solicitando veto a dispositivo específico do projeto.

O entendimento institucional consolidado é de que a Lei Complementar nº 227/2026 não interfere nas atribuições dos cargos da Carreira Tributária e Aduaneira nem na execução das atividades cotidianas da Receita Federal.

O ciclo que se inicia com a LC 227/2026 será marcado por transição, testes, ajustes e eventuais correções de rota.

No contexto federativo brasileiro, a necessidade de coordenação entre diferentes administrações tributárias amplia o grau de complexidade.

Padrões, interoperabilidade e decisões técnicas passam a ser fundamentais para reduzir conflitos e preservar o equilíbrio do sistema.

Para os Analistas-Tributários, a nova fase é ao mesmo tempo exigente e estratégica.

É nesse momento, quando a reforma se transforma em prática cotidiana, que se consolida o valor do trabalho técnico que sustenta arrecadação, conformidade e serviços ao contribuinte.

O Sindireceita informou que seguirá acompanhando a implementação com atuação institucional e técnica, com foco na defesa da carreira e na contribuição para que a reforma resulte em eficiência administrativa e segurança jurídica.

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